Por uma sociedade sustentável


Diretor ambiental do Instituto Soka Amazônia concede entrevista para jornal japonês

Participação do Instituto Soka Amazônia na COP30

 

 

O diretor ambiental do Instituto Soka Amazônia, João Carlos Jr., falou ao jornal Seikyo Shimbun sobre a participação do instituto na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), realizada em novembro do ano passado em Belém (PA), no Brasil, e sobre as atividades previstas para este ano.

O Instituto Soka Amazônia é uma organização não-governamental sem fins lucrativos, vinculada filosoficamente à Soka Gakkai (global), representa a cristalização do ideal do pacifista Daisaku Ikeda de contribuir para proteção da integridade ecológica da Amazônia.

Criado em 2014 para consolidar e dar continuidade às ações de preservação ambiental iniciadas na década de 1990 pelo Centro de Pesquisas Ecológicas da Amazônia (Cepeam), o Instituto Soka é responsável pela gestão da Reserva Particular de Patrimônio Natural Daisaku Ikeda (RPPN Daisaku Ikeda), na cidade de Manaus, uma unidade de conservação sustentável localizada em frente ao exuberante Encontro das Águas.

A história do Instituto teve início em 1992, quando ocorreu, no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92) e foi adotada a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Essa experiência levou à criação da Conferência das Partes (COP), em 1995.

Nos dias 7 e 8 de novembro do ano passado, antes da abertura da COP30, foi realizado um seminário para celebrar o 25º aniversário de criação da Carta da Terra, que esclarece os princípios éticos necessários para a construção de uma sociedade sustentável e sensível às questões do planeta Terra e está em profunda sintonia com os pensamentos de Ikeda sensei.

O Instituto Soka Amazônia também se baseia na Carta da Terra e mantém um longo histórico de intercâmbio com a Carta da Terra Internacional, responsável pela promoção global da carta.

Durante o encontro, que teve como tema “Transformar a consciência em ação”, foi dado o primeiro passo para iniciar futuras colaborações do instituto com diversas organizações de Manaus e Belém.

Como parte dos eventos oficiais da COP 30, a SGI e outras ONGs religiosas discutiram o papel da ética e da fé no fortalecimento das medidas contra as mudanças climáticas em níveis regional, nacional e global.

Dentre os assuntos tratados, foram abordados como os pensamentos éticos podem contribuir para a transformação dos modos de vida, a resolução de fatores estruturais, a garantia dos direitos humanos, a obtenção de financiamento climático e a promoção de uma rede de solidariedade entre gerações. Foram apresentados relatos de iniciativas de diversas partes do mundo, dentre eles, o programa Academia Ambiental do Instituto Soka Amazônia.

A ação, promovida desde 2016, tem como objetivo proteger o ecossistema amazônico e incentivar a harmonia entre o ser humano e a natureza. A academia oferece educação ambiental na Reserva Particular do Patrimônio Natural Dr. Daisaku Ikeda (RPPN) e cria oportunidades de aprendizado e de reconexão com a Floresta Amazônica.

João Carlos Jr. e Mirian Vilela, Diretora Executiva da Carta da Terra Internacional

No ano passado, cerca de 1.800 alunos e 120 professores de 30 escolas públicas de Manaus participaram do programa, que já atendeu mais de 20 mil pessoas. “Não são poucas as crianças que pisaram na floresta pela primeira vez. Esse tipo de educação voltada às novas gerações pode se tornar uma nova base para a formação ética”, acredita João Carlos.

Este ano, a Academia Ambiental, em parceria com a Secretaria da Educação do Estado do Amazonas, quer ampliar o número de participantes. Além disso, o instituto pretende incrementar suas atividades e desenvolver currículos de treinamento adaptados às diferentes faixas etárias dos visitantes. “O aprendizado é uma experiência repleta de alegria. Precisamos despertar nos jovens um senso de pertencimento à Amazônia e ao planeta. Por meio desse processo, desejamos formar cidadãos do mundo que reconheçam seu papel na proteção da Terra e na construção de um futuro sustentável”, afirma o diretor ambiental.

No mesmo dia, João Carlos participou de outro evento organizado pela SGI e outras entidades e que teve como tema “O uso do conhecimento dos povos ancestrais e a contribuição dos jovens”. Nesse encontro, João Carlos apresentou um relatório sobre a cooperação que o Instituto Soka Amazônia está desenvolvendo com a comunidade indígena Kambeba. “Eles [os kambebas] foram obrigados a se deslocar de suas terras há algumas décadas e vivem hoje em uma região com pouca biodiversidade. Diante disso, o Instituto Soka Amazônia, em cooperação com instituições de pesquisa nacionais, vem trabalhando para recuperar o conhecimento ancestral dos povos tradicionais. Não se trata de uma relação unilateral de ‘quem ensina’ e ‘quem aprende’, mas sim de uma oportunidade de aprendizado mútuo”, esclarece João Carlos.

No ano passado, jovens de dentro e fora da Região Amazônica, incluindo estudantes estrangeiros, participaram das atividades, tornando‑as um espaço de aprendizado extremamente valioso. “A combinação da Carta da Terra, da sabedoria dos povos indígenas e da liderança dos jovens está gerando uma nova força transformadora. O aprendizado baseado em valores possui a força de possibilitar a transformação das pessoas. Em especial, as novas gerações carregam um potencial imenso. Renovei minha convicção de que, com a paixão e o protagonismo dos jovens de ‘não vamos deixar para amanhã e, sim, fazer hoje’, a humanidade é capaz de realizar muitas coisas”, disse João Carlos que, embora não seja membro da Soka Gakkai, sente uma profunda afinidade com os ideais da organização e a filosofia de Ikeda sensei.

“Foi essa sintonia que me levou a assumir minha atual função. Rumo a 2030, ano da conclusão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e do centenário da Soka Gakkai, mantenho no coração a orientação de Daisaku Ikeda: ‘[A década entre o 90º e o 100º aniversário de fundação da Soka Gakkai] é o período decisivo, de vitória ou derrota, para se concretizar, finalmente, a transformação do destino da humanidade’. O Instituto Soka Amazônia seguirá com esse espírito, dedicando esforços para fortalecer cada vez mais a colaboração com as novas gerações e contribuir para a construção de uma sociedade global sustentável”.[1] conclui o diretor ambiental.

 


[1] Brasil Seikyo, ed. 2.530, 5 set. 2020, p. 3.  

A missão do Instituto Soka Amazônia

Com sede em Manaus (AM), o Instituto Soka Amazônia se destaca por suas ações em defesa da floresta, com foco na educação ambiental e no engajamento comunitário.

Entre suas iniciativas estão projetos educativos com estudantes, que promovem o contato direto com a natureza por meio de trilhas ecológicas, oficinas e campanhas de sensibilização. A valorização da cultura amazônica também é central, integrando saberes tradicionais como ferramentas para a preservação ambiental.

O Instituto atua com a convicção de que conhecer a floresta é o primeiro passo para protegê-la, assim como orienta o fundador, Dr. Daisaku Ikeda

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