Segundo dia do encontro reuniu cerca de 60 jovens em Manaus e conectou experiências amazônicas e internacionais em torno de educação,ciência, sustentabilidade e cidadania global
Como ampliar o acesso de jovens a oportunidades de formação usando tecnologia e sustentabilidade? De que forma a ciência pode sair das universidades e contribuir para a conservação de uma espécie ameaçada? E o que uma experiência vivida na Amazônia pode ensinar a quem pretende desenvolver projetos junto a comunidades tradicionais do outro lado do mundo?
As perguntas partem de realidades distintas, mas encontraram um espaço comum no segundo dia do Amazonian Youth Summit. Cerca de 60 jovens participaram da programação dedicada ao intercâmbio de experiências, à formação de novas lideranças e à construção de propostas para desafios socioambientais da Amazônia.
Se o primeiro momento do Summit aproximou instituições, especialistas e organizações nacionais e internacionais para discutir educação, sustentabilidade e formação humana, a etapa dedicada à juventude colocou em evidência quem já começa a transformar esses conceitos em experiências concretas.
Entre os participantes estavam estudantes universitários, jovens envolvidos em projetos socioambientais e representantes internacionais, incluindo alunos da Universidade Soka da América. Ao longo do encontro, diferentes trajetórias se cruzaram em discussões sobre conservação da biodiversidade, educação ambiental, tecnologia, acesso a oportunidades, valorização de conhecimentos tradicionais e desenvolvimento dos territórios.
A diversidade das experiências mostrou que o protagonismo juvenil não se resume à expectativa de formar lideranças para o futuro. Muitos dos participantes já desenvolvem pesquisas, projetos e iniciativas em suas comunidades e chegaram ao Summit com conhecimento acumulado, questões próprias e propostas para compartilhar.
Ao abrir a programação, Luciano Gonçalves do Nascimento, presidente do Instituto Soka Amazônia, relacionou essa proposta à visão do fundador da instituição, Daisaku Ikeda, sobre a necessidade de formar lideranças capazes de compreender os desafios contemporâneos a partir de uma perspectiva ampla e global.
Para Luciano, esse processo depende também da capacidade de criar espaços em que diferentes experiências possam se encontrar: “É justamente com esse espírito de diálogo, aprendizado mútuo e compromisso com o futuro que este encontro se apresenta como uma oportunidade para ampliar perspectivas, fortalecer conexões e inspirar ações concretas em favor da humanidade e do meio ambiente”.
A ideia orientou uma programação em que os jovens não estiveram apenas na plateia. Suas experiências, pesquisas e projetos passaram a fazer parte do conteúdo do encontro, criando um intercâmbio em que aprender, compartilhar conhecimento e construir propostas aconteceram simultaneamente.
A Amazônia como espaço de formação
A Amazônia concentra desafios que estão no centro das discussões contemporâneas sobre mudanças climáticas, biodiversidade e desenvolvimento sustentável. Mas as experiências compartilhadas pelos jovens evidenciam que a região não pode ser compreendida apenas a partir de indicadores ambientais.
É preciso considerar as pessoas, universidades, comunidades, organizações e iniciativas que produzem conhecimento e constroem respostas dentro desse território.
Ao discutir respostas para essas questões, os jovens também foram convidados a compreender a Amazônia em sua complexidade, conectando biodiversidade, cultura, economia, educação e participação social.
Aprender sobre a região, nesse contexto, não significa apenas acumular informações sobre sua floresta e suas espécies. Significa compreender as relações sociais, econômicas, culturais e ambientais que constituem o território e reconhecer que qualquer discussão sobre seu futuro precisa considerar quem vive e produz conhecimento nele.
Diálogo como método
A diversidade de experiências reforçou o diálogo como um dos elementos centrais da metodologia do Summit.
Ao recuperar uma reflexão de Daisaku Ikeda durante a abertura, Luciano Gonçalves destacou o significado do diálogo como construção compartilhada de sentidos.
Na prática, essa perspectiva significa criar condições para que os participantes não apenas apresentem suas próprias ideias, mas entrem em contato com experiências capazes de questionar, complementar ou ampliar aquilo que já conhecem.
Essa lógica é particularmente relevante quando se discutem problemas socioambientais. Mudanças climáticas, conservação da biodiversidade, desigualdade e desenvolvimento atravessam diferentes áreas do conhecimento, setores da sociedade e fronteiras geográficas.
A formação de novas lideranças exige, portanto, mais do que especialização. Exige capacidade de escuta, colaboração e compreensão de diferentes realidades.
O Ideathon levou essa premissa para a prática. Organizados em grupos, os jovens precisaram definir prioridades, considerar perspectivas distintas e transformar diagnósticos em propostas comuns. O exercício não buscou produzir respostas acabadas, mas desenvolver um processo de construção que pode ser aplicado a outros desafios e contextos.
Ao longo do Summit, essa abordagem aproximou ainda as experiências dos participantes dos referenciais apresentados pelas instituições parceiras. Carta da Terra Internacional, Clube de Roma, Soka Gakkai Internacional e Instituto Soka Amazônia trouxeram perspectivas relacionadas a ética, sustentabilidade, paz, educação e formação humana, enquanto os jovens apresentaram exemplos de como alguns desses temas já se manifestam em suas trajetórias e territórios.
O encontro entre essas duas dimensões, referências globais e experiências concretas, contribui para que a formação não se torne uma transmissão unilateral de conhecimento.
Os jovens não chegam apenas para receber conteúdo. Chegam também com perguntas, projetos, experiências e saberes produzidos em seus próprios contextos.


















Formação para além do encontro
O encerramento do Amazonian Youth Summit não encerra necessariamente as conexões construídas ao longo dos dois dias.
Um dos objetivos do encontro é fortalecer uma rede de jovens e parceiros que possa ampliar a troca de experiências e criar novas possibilidades de cooperação. Nas falas dos próprios participantes, essa continuidade aparece de maneiras diferentes.
Os grupos do Ideathon acrescentam outra dimensão a essa perspectiva. As propostas elaboradas não foram tratadas como respostas definitivas para questões complexas, mas como exercícios de formulação que podem ganhar novos desdobramentos a partir das conexões, conhecimentos e experiências compartilhados no encontro.
São caminhos distintos de uma mesma proposta: fazer com que o conhecimento adquirido e produzido no Summit encontre aplicação em outros espaços.
O encontro também reforçou uma compreensão sobre formação de lideranças que vai além da preparação para cargos ou posições futuras. Liderança aparece relacionada à capacidade de reconhecer problemas, mobilizar conhecimento, estabelecer conexões, ouvir diferentes perspectivas e assumir responsabilidade sobre o contexto em que se atua.
Essa visão se aproxima da perspectiva apresentada pelo Instituto Soka Amazônia desde a concepção do Summit: educação ambiental e formação humana não são processos separados.
Formar pessoas capazes de atuar diante dos desafios socioambientais significa ampliar repertórios, mas também criar oportunidades para que diferentes conhecimentos se encontrem e possam ser transformados em ação.















